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Do boca a boca ao viral nas redes: negócios maranhenses conquistam clientes ao transformar produtos em experiências

Os empreendedores Amanda Marques, Caio Elcias e Maria Domingas criaram produtos que se tornaram virais e transformaram a experiência de consumo dos clientes em...

Do boca a boca ao viral nas redes: negócios maranhenses conquistam clientes ao transformar produtos em experiências
Do boca a boca ao viral nas redes: negócios maranhenses conquistam clientes ao transformar produtos em experiências (Foto: Reprodução)

Os empreendedores Amanda Marques, Caio Elcias e Maria Domingas criaram produtos que se tornaram virais e transformaram a experiência de consumo dos clientes em São Luís Reprodução/Redes Sociais Em uma era dominada por algoritmos, anúncios patrocinados e estratégias digitais milionárias, foi o mais antigo dos impulsionamentos que transformou dois negócios maranhenses em fenômenos de consumo: o boca a boca. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp O Maranhão possui atualmente 357.286 empresas ativas, segundo o Sebrae. Deste total, mais de 340 mil delas pertencem ao universo dos pequenos empreendedores, uma força que movimenta comércio e gera renda para milhares de famílias. E mesmo diante de desafios como logística para obter produtos e dificuldade de acesso a fornecedores, os empreendedores seguem encontrando formas criativas de crescer, seja a partir da criação de conteúdos criativos na internet, seja criando novos serviços atrativos, revelando que a confiança entre consumidores se tornou uma das moedas mais valiosas na nova economia digital. 🍪 Como os cookies viraram febre em São Luís O primeiro cliente chegou por mensagem. O segundo, por indicação. O terceiro ouviu falar no aniversário de um amigo. E, quando a empreendedora Amanda Marques, de 24 anos, percebeu que os doces produzidos por ela como escape emocional durante a pandemia já percorriam São Luís de story em story e de conversa em conversa, entendeu que a loja de cookies gerenciada com o namorado havia se transformado em um verdadeiro sucesso. Ao g1, Amanda conta que começou a fazer os doces para lidar com o isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19. Na época, os cookies que hoje são o carro-chefe da empresa ainda nem existiam. Ela produzia bolos, cheesecakes, pães e iogurte natural e vendia para amigos e familiares, que, ao gostarem tanto dos produtos, divulgaram nas redes sociais. O namorado, Caio Elcias, de 23 anos, hoje sócio da empresa, começou a ajudar na produção improvisada dentro de casa. O objetivo era simples: garantir um dinheiro extra. “Eu comecei como um escape emocional na pandemia. Fazia receitas para passar o tempo mesmo, naquela ansiedade de não saber o que ia acontecer. Comecei a postar no meu Instagram, nos stories, e as pessoas começaram a perguntar se eu vendia. E, de pouco em pouco, tudo foi crescendo e, assim, a nossa história com a confeitaria começou”, conta Amanda. O jovem casal de empreendedores teve a vida transformada após investir em uma loja de cookies autorais Reprodução/Redes Sociais Mas foi em 2022 que o negócio encontrou o produto que mudaria sua história. Caio conta que percebeu que não havia empreendimentos relacionados a cookies em São Luís, o que despertou no casal o desejo de iniciar uma produção experimental, paralelamente aos bolos e cheesecakes que Amanda ainda produzia. Assim, iniciaram os testes, as receitas foram refeitas dezenas de vezes e a percepção positiva dos clientes começou a aumentar em relação ao novo produto. Enquanto os outros produtos tinham saída tímida, os clientes queriam saber apenas de uma coisa: os cookies da 'LaMia'. “A gente via que faltava isso aqui em São Luís. A gente gostava muito de cookie, mas não gostava do que tinha no mercado. Então resolvemos fazer o nosso, do zero”, relembra Caio. Aos poucos, quem comprava os cookies passava a indicá-los para outras pessoas. Os novos clientes compartilhavam suas experiências nas redes sociais, despertando o interesse de ainda mais consumidores. O tradicional marketing boca a boca ganhou tanta força que o casal decidiu deixar de lado os demais produtos que fabricava para se dedicar exclusivamente aos cookies. A decisão acabou redefinindo o rumo da empresa e impulsionando seu crescimento. “Eu era muito apegada aos outros produtos porque foi algo que me ajudou emocionalmente na pandemia. Mas só chegavam clientes perguntando pelos cookies. Até que eu me rendi”, relembra Amanda. Os cookies da 'LaMia' são febre nas redes sociais Reprodução/Redes Sociais Hoje, a empresa produz mais de 30 receitas autorais de cookies e vive uma expansão acelerada. O que antes era uma produção artesanal na casa dos pais de Amanda virou uma operação que vende, em média, mil cookies por dia, chegando perto de dois mil aos domingos. O crescimento também se reflete na geração de empregos. Atualmente, a empresa reúne cerca de 30 trabalhadores diretos e indiretos, entre produção, pronta-entrega e delivery. Mas, para além dos números, Amanda e Caio acreditam que o verdadeiro combustível do negócio nunca foi o investimento em publicidade, e sim a confiança das pessoas. “Tem cliente que chega lá e fala: ‘Eu ouvi falar no aniversário de alguém e vim experimentar’. Isso ainda acontece muito. É a prova de que a indicação das pessoas continua sendo uma das formas mais importantes de divulgar o nosso produto e conquistar novos clientes. Tudo ainda é muito surreal, mas somos muito gratos por essa confiança”, conta Amanda. O sucesso no ponto de retirada dos cookies também se reflete nas redes sociais da empresa. Com mais de XX mil seguidores, Amanda e Caio destacam o carinho das pessoas pelo produto e a confiança na empresa, ajudando os jovens empreendedores a criar uma comunidade nas redes sociais, impulsionando o crescimento digital da empresa. Caio conta que, para manter ainda mais a conexão, a empresa investe em ações de fidelização que transformam clientes em embaixadores espontâneos da marca. No Dia do Cliente, por exemplo, os fundadores foram pessoalmente entregar cookies e flores para as consumidoras mais fiéis. Os empreendedores relançaram o 'ovo de Páscoa de cookies' que tornou um sucesso de vendas em 2026 Reprodução/Redes Sociais Já na Páscoa, por exemplo, o casal lançou um ovo de Páscoa de cookie que viralizou nas redes sociais, provocando filas e uma explosão de pedidos. O produto já existia desde 2023, mas ganhou força justamente pelo alcance espontâneo entre consumidores. “A gente sempre tenta fazer o cliente se sentir visto, lembrado, por isso estamos sempre investindo em sabores diferentes e novas formas de experiência com os consumidores. E ficamos muito surpresos com a forma como se criou uma comunidade no Instagram. As pessoas levavam os cookies para outras cidades, outras pessoas experimentavam, comentavam… tudo muito orgânico”, explica Caio. Enquanto lidam com o crescimento acelerado, o casal de empreendedores enfrenta desafios típicos do empreendedorismo no Maranhão, como dificuldade logística, escassez de fornecedores e ausência de crédito facilitado para pequenos empresários. Ainda assim, o casal segue apostando no crescimento sustentável e no relacionamento humano como principal estratégia de negócio e de olho no próximo passo: a inauguração da loja física da empresa. “Aqui é a última rota para chegar tudo. Embalagem, máquina, peça… tudo demora muito. Mas seguimos muito firmes no nosso propósito, impulsionando ainda mais a nossa empresa com a certeza de que seremos bem recompensados no futuro. Mas, de fato, ter o nosso cliente satisfeito é nosso melhor troféu”, finaliza Amanda. A ‘marca’ do sucesso A empreendedora Maria Domingas transformou uma banca de feira em uma marca popular e cheia de personalidade Reprodução/Redes Sociais Sem placa chamativa, sem identidade visual e sem estratégia de marketing. Durante décadas, a empreendedora Maria Domingas, de 59 anos, vendeu bolos de forma criativa em feiras livres de São Luís. O que ela não imaginava é que, anos após iniciar o pequeno negócio, os produtos feitos para sustentar a família atravessariam as barreiras da feira e viralizariam nas redes sociais. Conhecida carinhosamente como “Dona Dudu”, ela trabalha há quase três décadas no comércio informal, fazendo bolos de trigo e mandioca, produtos que fazem parte do cotidiano do maranhense e reforçam a identidade cultural da nossa culinária. Os produtos são vendidos de forma itinerante em feiras da capital maranhense. Ao g1, a filha da empreendedora, Thalia Rodrigues, que também trabalha no empreendimento e é um dos braços direitos da mãe, conta que o negócio foi responsável por ajudar a criar os irmãos e cuidar da família, realidade que faz parte da vida de milhares de empreendedores maranhenses. Entre madrugadas de produção, dificuldades financeiras e muita persistência, dona Dudu construiu uma rede de clientes muito fiéis que, entre uma compra e outra, ajudavam a reforçar a qualidade dos produtos. O marketing estruturado e bem pensado, tão presente nos negócios hoje em dia, dava lugar a uma rede espontânea de divulgação dos produtos. “Antes de ganhar nome e identidade própria, o negócio era conhecido apenas como ‘os bolos da Dona Dudu’. Na época, não existia rede social, era apenas o talento da minha mãe, a incrível relação que ela construiu com os clientes que fortaleceram o que hoje se tornou um verdadeiro orgulho para nossa família”, conta Thalia. O empreendimento voltado para a gastronomia regional acontece de forma itinerante em feiras de São Luís Reprodução/Redes Sociais Com a chegada de Thalia na gestão do empreendimento, tudo mudou. Ela decidiu mostrar a rotina da família e do negócio na internet, na tentativa de dar uma nova identidade para o negócio. O movimento deu tão certo que o empreendimento ganhou um nome próprio: A Casa do Forno, transformando um ponto tradicional nas feiras em um verdadeiro sucesso nas redes sociais e dono de uma comunidade fiel de apaixonados pelos produtos. “Na época, o negócio era visto só como mais uma barraca da feira. Então eu comecei a gravar vídeos, mostrar nossa rotina e criar uma identidade para o negócio. Quando os clientes chegavam e perguntavam o nome, eu dizia: ‘Estou na Casa do Forno’. E isso acabou virando a marca”, relembra. Com criatividade e autenticidade, dona Dudu, os filhos Thalia, Tony e Gleice e o marido Rivelino começaram a dar uma nova identidade para o negócio, que apostou na transformação de produtos populares em verdadeiras experiências virais. A criação da “coxinha pata de dinossauro” foi um divisor de águas para o rumo do empreendimento. O produto tipicamente brasileiro ganhou uma nova versão, com um tamanho que chega ao triplo do que é comumente produzido, e atraiu consumidores de diferentes bairros da cidade, que fizeram filas nas feiras para experimentar. Além disso, Thalia conta que a empresa decidiu investir em edições limitadas inspiradas na culinária maranhense, com recheios de sururu, cuxá e vatapá, que fortaleceram ainda mais a identidade regional da marca, uma estratégia que aproximou tradição e inovação em um mesmo balcão. Os produtos chamaram também a atenção de influenciadores digitais de nichos de gastronomia, e um dos vídeos publicados teve alcance de mais de 300 mil visualizações. “A gente começou a chamar atenção não só pelo sabor, mas pelos produtos diferentes e pelas campanhas criativas. Depois do vídeo da coxinha de pata de dinossauro, muita gente começou a ir lá só para conhecer a barraca e experimentar os produtos”, conta. A 'coxinha pata de dinossauro' trouxe mais popularidade para o negócio que viralizou nas redes sociais Reprodução/Redes Sociais Mesmo com o crescimento e o sucesso, Thalia afirma que a essência do negócio permanece a mesma: uma empresa familiar construída coletivamente, o que reforça aquilo que talvez nenhuma estratégia estruturada de marketing consiga fabricar artificialmente: afeto, memória e confiança. “O nosso sentimento é de muita gratidão. A minha mãe não teve nenhum tipo de incentivo, tudo foi construído com muita dedicação e amor pelo que ela faz. Nós nos sentimos todos os dias com a sensação de ‘missão cumprida’, porque estamos vivendo algo além do que um dia sonhávamos”, diz Thalia. O ‘boca a boca’ que gera movimento Mesmo diante de desafios, os pequenos empreendedores seguem encontrando formas criativas de crescer. E, no Maranhão, enquanto a internet acelera conexões, o boca a boca ainda continua sendo a propaganda mais poderosa de todas. Segundo o Sebrae, o empreendedorismo maranhense vive um crescimento consistente. Entre 2021 e 2025, o estado acumulou avanço de 47,5% no número de micro e pequenas empresas. De acordo com Renata Costa, Gerente de Relacionamento com o Cliente do Sebrae, esse novo empreendedorismo digital ganhou força nos últimos anos, impulsionado, principalmente, pela necessidade de geração de renda e pela facilidade de divulgação através da internet. “O crescimento dos pequenos negócios no Maranhão pode ser explicado por vários fatores. Um deles é a necessidade de geração de renda. Outro ponto importante é a facilidade de empreender usando a internet e as redes sociais, que reduzem custos e ampliam o alcance dos negócios”, diz a especialista. Ainda segundo Renata Costa, os empreendedores contam atualmente com mais acesso à formalização, capacitações, crédito orientado e apoio estratégico, fatores que contribuem para aumentar as chances de sobrevivência dos negócios. “Hoje o empreendedor tem mais acesso à formalização, capacitações, crédito orientado e apoio estratégico. Isso fortalece as chances de sobrevivência dos negócios", finalizou.